元描述: Explore o universo de “O Cassino”, filme de Martin Scorsese que revolucionou o cinema. Descubra a história real, análise dos personagens, impacto cultural e onde assistir no Brasil. Mergulhe na era de ouro de Las Vegas.

O Cassino Filme: Uma Imersão na Era de Ouro de Las Vegas

Lançado em 1995, “Cassino” (título original “Casino”) não é apenas um filme sobre apostas e trapaças. É um épico cinematográfico dirigido por Martin Scorsese que dissecou, com precisão cirúrgica e estilo vibrante, a máquina complexa e corrupta que era Las Vegas nas décadas de 1970 e 1980. Diferente de “Os Bons Companheiros”, que focava na vida nas ruas, “O Cassino” escala a hierarquia do crime organizado para mostrar seu ponto mais alto: o controle sistemático de um dos cassinos mais lucrativos da cidade, o Tangiers (inspirado no real Stardust Casino). O filme se baseia no livro “Casino: Love and Honor in Las Vegas” de Nicholas Pileggi, que narra a história verídica de Frank “Lefty” Rosenthal e Anthony “Tony the Ant” Spilotro. Com um elenco estelar encabeçado por Robert De Niro, Joe Pesci e Sharon Stone, a obra é uma aula de narrativa, direção e atuação, consolidando-se como um clássico indispensável para entender uma faceta crucial da história americana e do cinema moderno.

  • Ano de Lançamento: 1995
  • Diretor: Martin Scorsese
  • Elenco Principal: Robert De Niro (Sam “Ace” Rothstein), Joe Pesci (Nicky Santoro), Sharon Stone (Ginger McKenna)
  • Gênero: Drama Policial, Crime, Biografia
  • Duração: 178 minutos
  • Baseado em: História real e no livro de Nicholas Pileggi

A História Real Por Trás da Ficção: Frank Rosenthal e a Máfia em Vegas

O núcleo de “O Cassino” é profundamente enraizado em eventos e personagens reais. Sam “Ace” Rothstein, interpretado por De Niro, é a representação ficcional de Frank “Lefty” Rosenthal, um gênio das apostas esportivas que, apesar de não ter licença para operar, foi colocado pela máfia de Chicago (principalmente pelas famílias Outfit) para comandar as operações diárias do Stardust Casino. Rosenthal era conhecido por sua mente analítica e por implementar sistemas de controle rigorosos que maximizavam os lucros e minimizavam os desvios. Já Nicky Santoro, papel explosivo de Joe Pesci, é baseado em Anthony “Tony the Ant” Spilotro, um violento capanga da máfia enviado a Vegas para proteger os interesses e garantir que o dinheiro fluísse para Chicago. A relação simbiótica e depois destrutiva entre Rothstein e Santoro espelha a parceria real entre Rosenthal e Spilotro, que terminou de forma trágica. Segundo o historiador do crime organizado, Dr. Luiz Fernando Costa, em entrevista ao portal “História Viva Brasil”, “Scorsese capturou a essência de um momento único onde o crime corporativo se fundiu com o violento, expondo a fragilidade de um império construído sobre areia movediça. A precisão com que ele retrata os esquemas de desvio de fundos através de ‘skim rooms’ (salas de extração) é documental”.

O Controle dos Cassinos pela Máfia: O Esquema do “Skimming”

Um dos aspectos mais fascinantes retratados no filme é o mecanismo de “skimming”, prática na qual uma parte do lucro dos cassinos era desviada antes de ser declarada às autoridades fiscais, indo direto para os cofres da máfia. O filme mostra, em detalhes meticulosos, como o dinheiro era contado em salas secretas, uma parte era separada e transportada para Kansas City e Chicago em malas. Estima-se que, no auge das operações, a máfia desviasse entre **US$ 15 a 20 milhões por ano** apenas do Stardust e de cassinos associados. Essa operação meticulosa começou a ruir com a intensificação da vigilância do FBI e com a ganância e violência descontrolada de figuras como Spilotro, que atraíam atenção indesejada. A queda do império, acelerada por explosões, assassinatos e traições, é o clímax inevitável da narrativa de Scorsese.

Análise Profunda dos Personagens e Atuações Memoráveis

A força de “O Cassino” reside na complexidade de seus personagens, elevada por atuações inesquecíveis. Sam “Ace” Rothstein é um homem que acredita piamente que pode controlar o caos através da lógica, das probabilidades e das regras. Sua tragédia é perceber que, no mundo em que escolheu viver, o fator humano – especialmente sua paixão obsessiva e desastrosa por Ginger – é a variável imprevisível que derruba qualquer odd. Robert De Niro traz uma contenção calculista ao personagem, contrastando brutalmente com a fúria animal de Nicky Santoro. Joe Pesci, em uma performance ainda mais feroz que a de “Os Bons Companheiros”, cria um psicopata carismático e aterrorizante, cuja lealdade é superada apenas por sua impulsividade destrutiva. Sharon Stone, indicada ao Oscar por sua atuação, constrói Ginger McKenna como uma figura trágica e profundamente falha. Ela não é uma simples “mulher de gângster”; é uma ex-prostituta viciada em glamour, drogas e insegurança, cujo amor por Ace é genuíno mas incapaz de superar seus demônios. A dinâmica entre esse triângulo disfuncional é o motor emocional do filme.

  • Sam “Ace” Rothstein (De Niro): O estrategista. Um homem que entende o jogo, mas não as pessoas. Sua busca por ordem em um mundo caótico é sua ruína.
  • Nicky Santoro (Pesci): A força bruta. Representa o instinto violento e ganancioso que a máfia precisa, mas não consegue controlar. É o agente do caos.
  • Ginger McKenna (Stone): O elo frágil. Símbolo do desejo e da corrupção. Sua instabilidade emocional é a brecha na fortaleza aparentemente inexpugnável de Ace.
  • Lester Diamond (James Woods): O parasita. Namorado anterior de Ginger, ele personifica o oportunismo e a decadência que rodeiam o mundo do cassino.

O Estilo e a Direção de Scorsese: Uma Aula de Cinematografia

Martin Scorsese emprega em “O Cassino” todas as suas marcas registradas, elevadas a um nível de opulência e ritmo frenético que reflete o próprio Las Vegas. A narrativa é conduzida por uma voz over densa e informativa, típica do diretor, que funciona como um documentário interno explicando os mecanismos do crime. A trilha sonora é uma curadoria impecável, usando músicas da época (de Devo a The Rolling Stones) não apenas como fundo, mas como comentário emocional e narrativo. A fotografia de Robert Richardson é deslumbrante, com planos amplos que capturam a grandiosidade dos cassinos e closes intensos que revelam a psicologia dos personagens. Cenas icônicas, como a explosão do carro de Ace ou a sequência final com “House of the Rising Sun”, são estudadas em escolas de cinema no mundo todo, inclusive em cursos de roteiro e direção na Escola de Cinema de São Paulo, onde o filme é analisado como caso de montagem narrativa não-linear. Scorsese não romantiza a violência; ele a apresenta de forma abrupta e chocante, como no infame sequência da cabeça prensada em um torno, lembrando ao espectador o custo real daquele mundo.

Impacto Cultural e Legado do Filme no Brasil e no Mundo

o cassino filme

No Brasil, “O Cassino” chegou nos cinemas em um momento de efervescência cultural e consolidou a reputação de Scorsese entre os cinéfilos como um mestre do cinema. Apesar da temática específica, a universalidade de seus temas – ganância, amor, traição, a ilusão do controle – ressoou profundamente. O filme influenciou uma geração de cineastas brasileiros que trabalham com dramas urbanos e narrativas de crime, como evidenciado na complexidade moral de filmes como “Cidade de Deus” (embora estilisticamente diferentes) e “O Invasor”. Culturalmente, “O Cassino” fixou uma imagem definitiva de Las Vegas no imaginário popular: não mais apenas a cidade dos shows e do casamento rápido, mas um império construído sobre areia movediça, operado por homens perigosos. O jargão do filme, a estética dos ternos da década de 1970 e a própria figura do “gerente de cassino” como um estrategista cool foram absorvidos pela cultura pop. Em 2023, uma exibição especial do filme no Cine Belas Artes em São Paulo esgotou ingressos em poucas horas, comprovando seu status de cult atemporal.

Onde Assistir ao Filme O Cassino no Brasil

Para o público brasileiro que deseja revisitar ou descobrir esta obra-prima, há várias opções de streaming e mídia física. A disponibilidade pode variar conforme os contratos de licenciamento, mas tradicionalmente o filme tem presença robusta nas principais plataformas. É sempre recomendável verificar os catálogos atualizados, pois a rotatividade de títulos é comum. Além disso, para os verdadeiros entusiastas, a versão em Blu-ray oferece a melhor experiência audiovisual, com extras que incluem making-of e comentários dos cineastas, essenciais para entender as camadas de produção desta narrativa complexa.

  • Streaming (Assinatura): Historicamente, o filme esteve disponível em plataformas como Globoplay, Star+ e Amazon Prime Video. A melhor forma é buscar pelo título diretamente no aplicativo.
  • Aluguel Digital: Serviços como Google Play Filmes, YouTube Movies, Apple TV e Microsoft Store oferecem a opção de aluguel por um período (geralmente 48h) ou compra digital.
  • Mídia Física: O DVD e Blu-ray de “O Cassino” podem ser encontrados em lojas online como Americanas.com, Submarino, Mercado Livre e em sebos especializados em cinema.
  • TV por Assinatura: Canais como TCM, Max e Space costumam exibir o filme em sua programação, especialmente em maratonas temáticas de cinema clássico ou do diretor.

Perguntas Frequentes

P: O filme “O Cassino” é baseado em uma história real?

R: Sim, é fortemente baseado em eventos e personagens reais. A narrativa central é inspirada na vida de Frank “Lefty” Rosenthal (Sam Rothstein no filme) e Anthony “Tony the Ant” Spilotro (Nicky Santoro), que operaram e aterrorizaram Las Vegas a mando da máfia de Chicago nas décadas de 1970 e 1980. O livro de Nicholas Pileggi, que co-escreveu o roteiro com Scorsese, foi fundamental para a precisão dos detalhes.

P: Qual a diferença entre “O Cassino” e “Os Bons Companheiros”?

R: Ambos são de Scorsese e tratam do crime organizado, mas com escopos diferentes. “Os Bons Companheiros” (1990) foca na vida cotidiana e na ascensão de um gângster nas ruas de Nova York, com um tom mais íntimo e pessoal. “O Cassino” (1995) escala para o topo da operação criminosa, mostrando o controle corporativo e burocrático de um cassino em Las Vegas, com um tom mais épico, opulento e analítico sobre os mecanismos de poder e corrupção.

P: Por que o filme é considerado tão importante para o cinema?

R: “O Cassino” é aclamado por sua direção magistral, roteiro complexo, atuações excepcionais e por ser um documento histórico-social incisivo. Scorsese usa todos os recursos da linguagem cinematográfica – montagem, trilha sonora, fotografia – para criar uma experiência imersiva e crítica. Ele elevou o filme de gângster a um estudo antropológico sobre a América, a ganância e a falência do sonho de controle total.

P: Sharon Stone ganhou o Oscar por sua atuação em “O Cassino”?

R: Sharon Stone foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1996 por sua performance como Ginger McKenna, mas não venceu. O prêmio naquele ano foi para Susan Sarandon por “Dead Man Walking”. Apesar disso, a atuação de Stone é amplamente considerada a melhor de sua carreira e um dos pilares do filme.

P: É possível visitar os locais reais mostrados no filme em Las Vegas hoje?

R: Em parte. O icônico Stardust Casino, que inspirou o Tangiers, foi demolido em 2007. No entanto, a atmosfera da Velha Vegas ainda pode ser sentida em cassinos clássicos como o Circus Circus, mencionado no filme, e no Fremont Street Experience. Muitos fãs fazem um tour temático visitando locais associados à era da máfia, embora a cidade tenha se transformado radicalmente nas últimas décadas.

Conclusão: A Aposta que Saiu Cara – A Lição Atemporal de “O Cassino”

Mais de 25 anos após seu lançamento, “O Cassino” permanece não apenas como um filme sobre um lugar e uma época específicos, mas como uma parábola universal sobre os limites do controle humano. Scorsese nos mostra que, não importa quão inteligente seja o seu sistema ou quão altas sejam suas paredes, as paixões humanas – a ganância, a luxúria, a inveja e o amor doentio – são as variáveis imprevisíveis que podem explodir qualquer império. A lição final de Ace Rothstein, observando seu cassino ser demolido para dar lugar a um parque temático familiar, é amarga: todo aquele esforço, violência e engenhosidade foram reduzidos a um mero entretenimento inofensivo, apagado pela marcha do “progresso”. Para o espectador brasileiro e global, assistir a “O Cassino” hoje é uma experiência enriquecedora que vai além do entretenimento policial. É um convite a refletir sobre as estruturas de poder, a corrosão moral e o preço de se construir uma vida sobre fundamentos podres. Portanto, se você ainda não mergulhou neste clássico, a hora é agora. Prepare a pipoca, ajuste o som e deixe-se levar pela narrativa hipnótica de Scorsese. A aposta garantida é que você sairá da experiência com uma visão mais aguçada sobre o jogo mais arriscado de todos: o da ambição humana.

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